Pela redução do tempo de Trabalho
Voltas para casa
(extratos)
Depois de um dia inteiro de trabalho
voltas para casa, cansado…
Consumiste o dia …E caminhas,
agora, vazio,
como se nada acontecera…
De fato, nada te acontece…
Desde quando tua vida parou? Falas dos desastres,
dos crimes, dos adultérios,
mas são leituras de jornal. Fremes
ao pensar em certo filme que viste: a vida,
a vida é bela!
A vida é bela
mas não a tua. Não a de Pedro,…
de Lúcia, de Míriam, de Luísa…
Tua casa está ali… As crianças
ainda não dormiram.
Terá o mundo de ser para elas
este logro? Não será
teu dever mudá-lo?
Apertas o botão …
Amanhã ainda não será outro dia.
Ferreira Gullar- (1963)
É do interesse de todos trabalhadores, empregados e desempregados, reduzir ao máximo o tempo de trabalho para que o mesmo seja distribuído entre o maior número de pessoas. É preciso que isso seja feito mantendo os salários para que esta luta cumpra ainda um outro papel: o de promover uma distribuição menos desigual das riquezas produzidas.
Os que estão empregados trabalham muito, enquanto para uma grande parcela de nossa classe faltam postos de trabalho. Estes são colocados na desesperadora situação de desempregado, vivendo a cada momento incerteza e sobressalto, encontrando, no olhar dos seus, o medo da falta do básico, do mínimo necessário para continuar a viver com medo.
Além disto o desemprego permite que sejam impostas péssimas condições aos trabalhadores empregados (longa jornada, salários baixos, aposentadoria tardia, etc), porque se um trabalhador não está satisfeito, o patrão pode substituí-lo a qualquer momento.
Lutar pela redução do tempo de trabalho é lutar não só pelo aumento do tempo livre, mas também pela melhora da qualidade de vida. Trabalhar sem sentido, como boa parte disto que realizamos não é viver; porque quando vendemos nossa força de trabalho, vendemos nosso tempo de fazer o que gostamos, o que queremos, o que faz sentido para nós.
Nossa situação não é boa, mas não é imutável, pois para produzir mudanças é necessário uma quantidade de força maior que a usual. É necessário somar as forças, empregados e desempregados, efetivos e terceirizados, todos como um. Juntos em movimento somos um enquanto classe. Lutemos para que amanhã seja outro dia…
Pela Semana de trabalho de 30 Horas!
Excelente blog!
Força e luta!
Esse é um bom tema para se discutir no II Simpósio Marxismo Libertário:
http://simposionpm.teoros.net/inscricoes2012.html